Mensagens machistas e preconceituosas são escritas em sala de aula de universidade em Divinópolis

Alunos da Uemg demonstraram repúdio nas redes sociais sobre o caso

Estudantes do campus da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg), em Divinópolis, demonstraram insatisfação e repúdio nas redes sociais, devido a uma manifestação preconceituosa. O caso ocorreu nesta segunda-feira (22).

Em um quadro de uma sala de aula situada no bloco 5 da unidade, onde são lecionadas matérias exatas, mensagens machistas como “Muié = lixo. Só serve para ser comida” e “Mulher só tem vantagem e ainda fica enchendo o saco”, foram escritas. Uma suástica nazista foi desenhada e mensagens de apoio ao candidato a presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, também foram redigidas.

O PORTAL conversou com pessoas que estudam na unidade e muitas delas lamentaram o ocorrido, como a estudante de jornalismo, Acsa Vitória, que disse o seguinte.

“Ah, fico triste e assustada sabe? É uma universidade pública, a gente debate sobre esse tipo de questões todos os dias e ver que ainda existe gente com esse pensamento em um ambiente que é de desconstrução me deixa com medo, porque se antes do candidato que essa pessoa defende ganhar ela já sustenta esse tipo de coisa, fico com medo do que pode acontecer no futuro se ele se eleger”, relatou.

Já de acordo com a estudante de engenharia da computação, Luyllie Lemos, que estuda no bloco onde o ato ocorreu, a maioria das pessoas que estudam nele são homens. Ela também lamenta o caso.

“Somos poucas no bloco, isso nos assusta, né? Infelizmente a violência contra a mulher, principalmente nas cidades de interior, é uma realidade muito pouco combatida. Se tem pessoas com coragem para exteriorizar tamanha violência escrita, me faz questionar minha segurança lá dentro (…) Na minha sala todos se posicionaram contra, sou a única mulher lá, estão todos querendo que os responsáveis sejam punidos”, relatou ao PORTAL.

Liderança

Camila Moraes, presidente da União Estudantil Divinopolitana (UED), disse que soube da manifestação pelo WhatsApp, por onde as fotos chegaram. Segundo ela, após ter ciência do caso, imediatamente apagou as mensagens do quadro.

“Nós não daríamos espaço para o desrespeito (…) Todos que souberam do que aconteceu estão extremamente indignados, pois foi um ato que feriu a humanidade das mulheres e também de tantas outras pessoas (…) Para nós, é muito triste ter que lidar com isso, perceber que quem está convivendo e construindo no mesmo espaço e na mesma universidade que a gente, estão adotando medidas tão ignorantes. Nós continuaremos sendo resistência, assim como fomos hoje, a favor da democracia e seguiremos na luta”, disse Camila.

A coordenação da Uemg ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Marcelo Lopes

Marcelo Lopes

É repórter do Portal Centro-Oeste. Graduado em jornalismo e apaixonado por esportes e histórias.

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