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Infecção urinária em crianças pode ser sinal de alerta

Portal Centro-Oeste

A febre alta em uma criança é o suficiente para ascender uma luz amarela nos pais ou cuidadores. As primeiras desconfianças são da garganta, uma gripe ou ouvido. E nada está anormal. A febre passa por hoje, mas daqui uns três dias, volta sem nenhum sintoma aparente. Esse é o refluxo vesicoureteral (RVU) que atinge de 10 a 15% das crianças na primeira infância de acordo com os dados da Campbell Urology.

A apresentação clínica mais comum em crianças com refluxo vesicoureteral é a infecção do trato urinário cuja constatação é feita por meio do exame de urina com urocultura.

“O segundo passo é o ultrassom com contraste que comprova o refluxo indicando o grau na escala da doença e o médico avalia o tratamento mais adequado. Qualquer criança com infecção do trato urinário febril é um paciente que pode ter RVU”, explica Antônio Macedo Junior, chefedo setor de Urologia Pediátrica da Unifesp.

O normal é que a urina saia dos rins, passe pelos ureteres e siga até a bexiga onde fica armazenada até ser expelida para fora do organismo.  Essa urina não retorna para os rins, devido às válvulas existentes no aparelho urinário. Quando há alguma disfunção nesse “mecanismo valvular”, a urina ao invés de sair, acaba voltando pelo caminho de onde veio, o que pode levar bactérias para os ureteres e/ou para os rins, causando infecção. Essa condição é conhecida como o refluxo vesicoureteral.

A classificação internacional de refluxo vesicoureteral estabelece cinco graus para o problema:

  • Grau I – Refluxo só para o ureter.
  • Grau II – Refluxo até o rim, sem causar dilatação renal ou ureteral.
  • Grau III – Refluxo até o rim, causando pouca dilatação renal.
  • Grau IV– Refluxo até o rim, causando moderada dilatação renal.
  • Grau V– Refluxo até o rim, causando intensa dilatação renal e tortuosidade dos ureteres.

Tratamento

Atualmente, existem três tipos de tratamentos: antibióticos, tratamento endoscópico e cirurgia.

Quando o caso de refluxo vesicoureteral está nos graus I e II, ele pode se curar sozinho em 80% dos casos num período de cinco anos. Após essa fase, recomenda-se tratar com antibióticos em pequenas doses e períodos prolongados. Esse tratamento costuma ser longo, podendo durar meses até que o próprio amadurecimento do organismo ‘resolva’ o RVU. O tratamento com antibiótico previne a infecção, porém não corrige e nem cura o RVU. 

A terapia endoscópica apresenta bons resultados no tratamento nos graus II, III e IV. Consiste na injeção de substâncias que reforçam a junção entre o ureter e bexiga, corrigindo o refluxo vericoureteral de baixo grau, e cirurgia laparoscópica.

Já a cirurgia, é indicada para os graus mais avançados e consiste em reimplante de ureter. Nestes casos, há internação da criança – que varia de 48 a 72 horas – além do pós-operatório que dura de 30 a 60 dias.

Mesmo após a cura do RVU, as crianças devem ser acompanhadas em longo prazo, com medidas rotineiras de pressão arterial, análise na urina, controles de função renal, bem como ultrassom ou exame de imagem com radioisótopos (cintilografia renal).

A doença, em casos extremos pode levar à cicatriz renal (lesão irreversível que compromete o funcionamento do órgão), perda das funções e evoluir para (até) a necessidade de transplante.

“A cirurgia para a correção do trato urinário ou procedimento para educá-lo a funcionar da maneira correta é essencial para que a patologia evolua para os maiores graus”, alerta o uropediatra.

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