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Assessor do prefeito é acusado de coagir testemunha para se safar de condenação

Amanda Quintiliano

Fausto Barros, assessor de governo do prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (PMDB) foi afastado do cargo por decisão judicial. Cinco mandados de busca e apreensão referentes a uma investigação pelos crimes de coação no curso do inquérito e falsidade ideológica foram cumpridos nesta terça-feira (13).

Os mandados foram cumpridos na prefeitura e nas residências de Barros e de um homem que seria coautor. Cláudio Moises auxiliava o assessor a coagir testemunhas. Foram apreendidos R$29 mil em dinheiro na casa de Fausto e outros R$ 2 mil também em espécie com ele.

Na casa de Barros, a polícia localizou uma arma, e ele foi preso por posse ilegal de arma de fogo. O suspeito foi levado para a delegacia e até o fechamento desta matéria era ouvido pela delegada, Adriene Lopes.

Investigação

Fausto teria tentado coagir uma mulher a retirar testemunho contra ele em um processo no qual ele foi condenado em 2016. Devido a condenação ele estava impedido de ser nomeado para o cargo atual. Diante disto, o Ministério Público havia impetrado, em janeiro passado, uma ação contra ele e o prefeito pedindo o afastamento da função.

Para tentar se safar da condenação por fraudes em licitação e continuar no cargo, o assessor teria articulado um esquema. Ele pediu a abertura de inquérito contra uma testemunha por calúnia e falso testemunho. A mulher foi servidora da prefeitura durante o mandato do atual prefeito entre 2001-2004.

Para justificar a abertura do inquérito, Fausto Barros disse que ela teria mentido em juízo para prejudica-lo porque ele teria negado o cargo de controladora geral do município para ela.

“Ele tinha muito interesse nas investigações, vinha diariamente na delegacia, pedia que as diligências fossem tomadas e manifestou interesse diverso”, explica a delegada responsável pelo caso.

No decorrer das investigações a delegada notou que havia uma “pretensão não legítima”, em outras palavras, uma manobra do assessor, para conseguir a revisão criminal e tentar se manter no cargo. Barros já tinha ciência da ação movida pelo promotor, Gilberto Osório.

Após pedir a abertura do inquérito, com a ajuda de Cláudio Moisés – ex-marido da testemunha, ele a coagiu a assinar um Termo de Retratação retirando as afirmações feitas na época do processo por fraude em licitação. A mulher assinou o documento e apresentou a cópia à delegada.

“Quando ouvida aqui [delegacia] ela disse que assinou porque estava com receio por se tratar de uma pessoa poderosa, que ela não mentiu na ação originária e que tudo que ela falou ela tinha conhecimento porque ela trabalhou na gestão”, acrescentou o promotor, Gilberto Osório.

“Ele pretendia que a pessoa voltando atrás fosse elemento de prova para ele tentar anular essa condenação no Supremo Tribunal Federal (STF)”, completa.

A audácia do assessor foi tamanha que após a mulher assinar o documento ele ligou para o celular dela a agradecendo por “isenta-lo” do crime e dizendo que iria retirar o pedido de inquérito feito por ele. As ligações estão documentadas. O aparelho foi repassado para a perícia. Tudo isso ocorreu na semana passada.

Prisão

O promotor pediu a prisão preventiva de Barros, porém foi negada. Ele conseguiu liminarmente o afastamento imediato do cargo. O assessor não pode “colocar os pés na prefeitura”.

Paralela a essa investigação, continua em tramitação a ação movida pelo Ministério Público contra Fausto, por falsidade ideológica e contra o prefeito por improbidade administrativa.

“Ele tinha assumido o cargo, mas assinou declaração ocultando a existência desta condenação o que era impedimento para ele assumir. O prefeito não poderia nomear alguém, até por força do que reza a lei do ficha limpa, com condenação judicial”, explica Osório.

Agora, o promotor espera que com o decorrer das investigações e diante dos novos fatos a prisão seja decretada pela Justiça.

O prefeito pode perder o mandato e ficar inelegível por ter mantido indevidamente Barros no cargo.

A Polícia Civil também irá investigar a origem do dinheiro apreendidos na casa e com o assessor.

De acordo com a delegada, ele nega ter coagido a mulher e afirmou que o dinheiro apreendido com ele é para despesas diárias, já que ele não usa os servidos de banco.

Prefeitura

Em nota, a prefeitura resumiu-se a dizer que o afastamento “é resultante de um processo investigativo que remonta há mais de uma década, ou seja, com nenhuma relação com a atual gestão. É imperativo informar que é prática comum desta Administração cumprir as determinações apresentadas pelo Judiciário, sempre no efetivo interesse de esclarecer todos os fatos”.

 

 

 

 

Sobre o Colunista

Redação

Amanda Quintiliano é editora-chefe do Portal Centro-Oeste. Jornalista por formação e paixão. Pós-graduada em Marketing e Comunicação Integrada.

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